Neste mês de janeiro é propagada em todo o País a campanha ‘Todos Contra a Hanseníase’, criada pela Sociedade Brasileira de Hansenologia (SBH) com a intenção de reverter o quadro de dificuldades em divulgar a doença para a comunidade.
De acordo com dados da SBH, o Brasil é o 2º país no ranking mundial de hanseníase – atrás da Índia –, e a doença é subnotificada. Cerca de 30 mil casos são notificados a cada ano – número semelhante à notificação de novos casos de HIV/AIDS.
A doença
A hanseníase, antigamente conhecida como lepra, É uma doença dermato neurológica, causada por uma bactéria chamada Mycobacterium leprae ou bacilo de Hansen, um parasita que ataca a pele e nervos periféricos que são responsáveis pela sensibilidade e motricidade. É uma das doenças mais antigas, com registro de casos há mais de 4000 anos, na China, Egito e Índia. A doença tem cura, mas, se não tratada, pode deixar sequelas. Hoje, em todo o mundo, o tratamento é oferecido gratuitamente, visando que a doença deixe de ser um problema de saúde pública. Atualmente, os países com maior detecção de casos são os menos desenvolvidos ou com superpopulação.
A transmissão do M. leprae se dá por meio de convivência muito próxima e prolongada com o doente da forma transmissora, chamada multibacilar, que não se encontra em tratamento, por contato com gotículas de saliva ou secreções do nariz. Tocar a pele do paciente não transmite a hanseníase. Cerca de 90% da população têm defesa contra a doença. O período de incubação (tempo entre a aquisição a doença e da manifestação dos sintomas) varia de seis meses a cinco anos. A maneira como ela se manifesta varia de acordo com a genética de cada pessoa.
A suspeição da hanseníase é feita pela equipe de saúde e pelo próprio paciente. O diagnóstico é feito pelo médico e envolve a avaliação clínica dermatoneurológica do paciente.
Sintomas
Podemos classificar a doença em hanseníase paucibacilar, com poucos ou nenhum bacilo nos exames, ou multibacilar, com muitos bacilos. A forma multibacilar não tratada possui potencial de transmissão.
A hanseníase atinge primeiro a pele, os nervos periféricos e pode atingir também os olhos e os tecidos do interior do nariz. Pode se apresentar com manchas avermelhadas ou mais claras que a pele, podendo ser pouco visível e com limites imprecisos, com alteração da sensibilidade no local associado à perda de pelos e ausência de transpiração.
Quando o nervo de uma área é afetado, surgem dormência, perda de tônus muscular e retrações dos dedos, com desenvolvimento de incapacidades físicas. Nas fases agudas, podem aparecer caroços e/ou inchaços nas partes mais frias do corpo, como orelhas, mãos, cotovelos e pés.
É importante ressaltar que nem sempre a mancha doença vai estar totalmente dormente. Ela pode estar mais ou menos, dependendo do tempo. As manchas podem ser esbranquiçadas, que não dói, não coça e aparecem geralmente em lugares como as costas, braços, perna e rosto, mas isso não elimina outras áreas do corpo. Também pode haver alteração de sensibilidade sem a mancha.
Se não diagnosticada e tratada precocemente, pode causar incapacidades e deformidades físicas. Por isso, a recomendação do Ministério da Saúde é que as pessoas procurem o serviço de saúde ao aparecimento de algum desses sintomas.

Tratamentos
O tratamento é gratuito e fornecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Varia de seis meses nas formas paucibacilares a um ano nos multibacilares, podendo ser prorrogado ou feita a substituição da medicação em casos especiais. O tratamento é eficaz e cura. Após a primeira dose da medicação não há mais risco de transmissão durante o tratamento e o paciente pode conviver em meio à sociedade.
Prevenção
A melhor forma de prevenção é o diagnóstico precoce e o tratamento adequado, assim como o exame clínico e a indicação de vacina BCG para melhorar a resposta imunológica dos contatos do paciente. Desta forma, a cadeia de transmissão da doença pode ser interrompida.
Fonte: SBD



