{"id":618,"date":"2017-10-23T00:20:09","date_gmt":"2017-10-23T02:20:09","guid":{"rendered":"https:\/\/hospitalmed.com.br\/portal\/?p=618"},"modified":"2017-10-23T00:20:09","modified_gmt":"2017-10-23T02:20:09","slug":"camara-analisa-mudancas-na-legislacao-de-planos-de-saude-para-beneficiar-idosos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hospitalmed.com.br\/portal\/2017\/10\/camara-analisa-mudancas-na-legislacao-de-planos-de-saude-para-beneficiar-idosos\/","title":{"rendered":"C\u00e2mara analisa mudan\u00e7as na legisla\u00e7\u00e3o de planos de sa\u00fade para beneficiar idosos"},"content":{"rendered":"<p>A C&acirc;mara dos Deputados analisa um projeto de lei que pretende alterar a legisla&ccedil;&atilde;o atual que regula o funcionamento dos planos de sa&uacute;de no pa&iacute;s. Entre as principais mudan&ccedil;as em discuss&atilde;o est&aacute; a possibilidade de parcelamento do &uacute;ltimo reajuste concedido aos usu&aacute;rios de planos privados quando atingem 59 anos de idade.<\/p>\n<p>Pela legisla&ccedil;&atilde;o vigente, os planos de sa&uacute;de podem reajustar o valor da mensalidade do benefici&aacute;rio a cada mudan&ccedil;a de faixa et&aacute;ria. Atualmente, s&atilde;o v&aacute;lidas dez faixas cronol&oacute;gicas, a primeira at&eacute; 17 anos e a segunda a partir de 18 anos, mudando a cada 4 anos de forma subsequente. A &uacute;ltima refer&ecirc;ncia se encerra aos 59 anos, quando os planos s&atilde;o autorizados a aumentar em at&eacute; seis vezes o valor da mensalidade em rela&ccedil;&atilde;o ao valor da parcela da primeira faixa de idade.<\/p>\n<p>Como o Estatuto do Idoso veda a cobran&ccedil;a de valor diferenciado em planos de sa&uacute;de depois dos 60 anos, os planos reajustam uma &uacute;nica vez aos 59 anos. Se o projeto for aprovado, o valor reajustado para benefici&aacute;rios de 59 anos poder&aacute; ser pago em at&eacute; cinco parcelas de no m&aacute;ximo 20% do total nominal, vencidas a cada cinco anos, e n&atilde;o poder&aacute; ultrapassar o limite de seis vezes superior ao valor da primeira faixa et&aacute;ria considerada pelas operadoras.<\/p>\n<p>A mudan&ccedil;a &eacute; proposta pelo deputado Rog&eacute;rio Marinho (PSDB-RN), relator da mat&eacute;ria na C&acirc;mara, que apresentou relat&oacute;rio esta semana. O deputado informou que j&aacute; ouviu cr&iacute;ticas das operadoras, que temem impacto na lucratividade, e ressaltou que o projeto n&atilde;o permite o reajuste depois dos 60 anos, apenas o parcelamento dessa varia&ccedil;&atilde;o ao longo de 20 anos. Para o deputado, a medida visa a acabar com a cobran&ccedil;a &uacute;nica que antecede os 60 anos e melhorar a condi&ccedil;&atilde;o de pagamento dos usu&aacute;rios idosos.<\/p>\n<p><strong>Tend&ecirc;ncia<\/strong><\/p>\n<p>&ldquo;Isso &eacute; uma ang&uacute;stia de quem vai chegar aos 59 anos, porque as pessoas sabem que nessa idade dobra o valor do plano e elas t&ecirc;m tr&ecirc;s alternativas: deixar o plano por incapacidade absoluta de pagar e voltar para o SUS; a fam&iacute;lia se cotizar a conseguir pagar o plano do idoso, ent&atilde;o se sacrifica o conjunto familiar; ou pagar o plano, mas comprometer de 30% a 40% do or&ccedil;amento&rdquo;, acrescentou Marinho.<\/p>\n<p>Foi o que aconteceu com Rosalina Leandro Andreto e Benedito Marcelo Andreto, de 68 e 64 anos, respectivamente. Quando atingiram a &uacute;ltima faixa et&aacute;ria, o valor do plano superou R$ 2 mil e obrigou o casal a cancelar o plano de sa&uacute;de h&aacute; tr&ecirc;s anos. &ldquo;A gente percebeu que n&atilde;o dava mais conta de pagar com essa situa&ccedil;&atilde;o. Aposentado ganha pouco e a&iacute; tivemos de sair do conv&ecirc;nio. Fomos obrigados a isso, porque o dinheiro todo era para pagar plano de sa&uacute;de. Como temos tamb&eacute;m de comprar rem&eacute;dios, vamos comer o que?&rdquo;, disse Rosalina.<\/p>\n<p>A decis&atilde;o do casal segue uma tend&ecirc;ncia registrada de queda no crescimento de benefici&aacute;rios de planos nos &uacute;ltimos anos. Segundo o &uacute;ltimo dado dispon&iacute;vel do mercado de sa&uacute;de suplementar, atualmente o Brasil tem 22,5 milh&otilde;es de benefici&aacute;rios com plano exclusivamente odontol&oacute;gico e 47,3 milh&otilde;es de pacientes vinculados a um plano m&eacute;dico privado, o que representa uma cobertura de 24,5% da popula&ccedil;&atilde;o brasileira, &iacute;ndice 2,2% menor do que o registrado no ano passado.<\/p>\n<p>Desse total, pouco mais de 8,5 milh&otilde;es de benefici&aacute;rios t&ecirc;m mais de 55 anos de idade, conforme dados da Ag&ecirc;ncia Nacional de Sa&uacute;de Suplementar (ANS). A faixa com mais n&uacute;mero de benefici&aacute;rios &eacute; de 20 a 39 anos, que re&uacute;ne quase 14 milh&otilde;es de usu&aacute;rios dos conv&ecirc;nios m&eacute;dicos.<\/p>\n<p><strong>Outras mudan&ccedil;as<\/strong><\/p>\n<p>Entre os princ&iacute;pios que devem ser seguidos pelos planos privados de sa&uacute;de, o projeto inclui o uso da epidemiologia para monitoramento da qualidade das a&ccedil;&otilde;es e para gest&atilde;o em sa&uacute;de, o respeito &agrave; autonomia e &agrave; integridade f&iacute;sica e moral das pessoas assistidas e o est&iacute;mulo ao parto normal. Para o relator, o objetivo &eacute; reduzir o &iacute;ndice de 85% dos partos ces&aacute;reos realizados na rede privada brasileira para algo pr&oacute;ximo do registro mundial de 15%.<\/p>\n<p>A proposta tamb&eacute;m estabelece que as operadoras de planos de sa&uacute;de ser&atilde;o obrigadas a realizar programas de promo&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de e de preven&ccedil;&atilde;o de riscos e de doen&ccedil;as, inclusive de epidemias que estejam em curso no pa&iacute;s, al&eacute;m de apresentar relat&oacute;rio &agrave; ANS sobre resultados desses programas. Os usu&aacute;rios que aderirem aos programas preventivos poder&atilde;o ter desconto no pagamento do plano.<\/p>\n<p>As operadoras dever&atilde;o, por meio de sua rede de unidades conveniadas, reparar les&otilde;es decorrentes de atos cir&uacute;rgicos realizados sob cobertura de seus planos. Atualmente, a repara&ccedil;&atilde;o &eacute; prevista apenas nos casos de erro m&eacute;dico em cirurgias est&eacute;ticas. A inten&ccedil;&atilde;o, segundo o deputado, &eacute; garantir que outros tipos de les&otilde;es n&atilde;o decorrentes de erros possam ser corrigidas.<\/p>\n<p><strong>Amplia&ccedil;&atilde;o cobertura<\/strong><\/p>\n<p>O projeto prev&ecirc; ainda que as operadoras dos planos dever&atilde;o cobrir consultas m&eacute;dicas, em n&uacute;mero ilimitado, em cl&iacute;nicas b&aacute;sicas e especializadas, de car&aacute;ter preventivo ou curativo e cobrir vacinas solicitadas pelo m&eacute;dico assistentes, desde que devidamente registradas pela autoridade sanit&aacute;ria.<\/p>\n<p>As despesas de acompanhantes, no caso de pacientes idosos, parturientes, pessoas com defici&ecirc;ncia ou menores de 18 anos, como j&aacute; previsto atualmente, dever&atilde;o ser cobertos pelos planos. Filho adotivo, adotando e crian&ccedil;a ou adolescente sob guarda tamb&eacute;m poder&atilde;o ser inscritos, aproveitando os per&iacute;odos de car&ecirc;ncia j&aacute; cumpridos pelo consumidor adotante ou guardi&atilde;o.<\/p>\n<p>De acordo com o projeto, as operadores dever&atilde;o oferecer obrigatoriamente planos de contrata&ccedil;&atilde;o individual ou familiar a seus atuais e futuros consumidores. O benefici&aacute;rio de plano de contrata&ccedil;&atilde;o individual, familiar ou coletiva fica dispensado do cumprimento de novos per&iacute;odos de car&ecirc;ncia e de cobertura parcial tempor&aacute;ria exig&iacute;veis e j&aacute; cumpridos no plano de origem na contrata&ccedil;&atilde;o de novo plano de contrata&ccedil;&atilde;o individual, familiar ou coletivo, na mesma ou&nbsp; em outra operadora.<\/p>\n<p>Para sair da car&ecirc;ncia, o benefici&aacute;rio dever&aacute; estar adimplente com a operadora de origem e com o contrato em vigor. O plano de destino deve ter igual pre&ccedil;o ou inferior ao plano de origem e n&atilde;o pode estar com registro em situa&ccedil;&atilde;o &#8220;ativo com comercializa&ccedil;&atilde;o suspensa ou cancelado&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Custos<\/strong><\/p>\n<p>Segundo Marinho, um dos objetivos das mudan&ccedil;as &eacute; reduzir o custo das contrapresta&ccedil;&otilde;es para o benefici&aacute;rio e acabar com fraudes registradas atualmente. Entre as propostas com esse prop&oacute;sito est&aacute; a divulga&ccedil;&atilde;o obrigat&oacute;ria, nos sites das operadoras, dos valores pagos pelas consultas e procedimentos contratados.<\/p>\n<p>Nesse sentido, o relator prop&otilde;e tamb&eacute;m um limite menor para o valor das multas pagas pelas operadoras que negam de forma injustificada a oferta de um procedimento ou produtos aos clientes.O substitutivo estabelece que a penalidade a ser paga pela operadora n&atilde;o poder&aacute; superar em mais de dez vezes o valor do procedimento ou do produto a que se refere.<\/p>\n<p>Nos casos de reincid&ecirc;ncia, poder&aacute; ainda ser aplicada multa de at&eacute; 30 vezes o valor do procedimento ou produto negado. A multa n&atilde;o deve ser superior a R$1 milh&atilde;o, de acordo com o porte econ&ocirc;mico da operadora ou prestadora de servi&ccedil;o e a gravidade da infra&ccedil;&atilde;o. O relator defende que a limita&ccedil;&atilde;o &eacute; para benef&iacute;cio do pr&oacute;prio consumidor.<\/p>\n<p>&ldquo;Pagar multa n&atilde;o desobriga a operadora de ofertar produto ou servi&ccedil;o. O que estamos querendo &eacute; que est&aacute; situa&ccedil;&atilde;o seja pedag&oacute;gica, equilibrada e proporcional, n&atilde;o do jeito que est&aacute; sem nenhum controle. Se n&atilde;o, recai sobre o pr&oacute;prio consumidor&rdquo;, afirmou Marinho.<\/p>\n<p>O projeto obriga empresas a realizar auditorias de forma independente para contabilizar sinistros ou n&uacute;mero de vezes em que o plano &eacute; acionado pelo usu&aacute;rio. &ldquo;A sinistralidade &eacute; um dos fatores que mais influem no aumento e a informa&ccedil;&atilde;o, muitas vezes, &eacute; unilateral. Ent&atilde;o, estamos pedindo que seja checada por uma auditoria independente.&rdquo;<\/p>\n<p><strong>Ressarcimento ao SUS<\/strong><\/p>\n<p>O projeto traz mais detalhes sobre o processo de ressarcimento das operadoras aos estabelecimentos do SUS que prestarem servi&ccedil;os a benefici&aacute;rios de planos privados de sa&uacute;de. A operadora continuar&aacute; respons&aacute;vel pelo pagamento de todos os procedimentos ofertados pelo SUS, mas, no caso de interna&ccedil;&atilde;o, o ressarcimento dever&aacute; ter um acr&eacute;scimo de 25%. O hospital ou unidade de emerg&ecirc;ncia p&uacute;blica deve comunicar em at&eacute; 24 horas &agrave; operadora sobre o atendimento de urg&ecirc;ncia do benefici&aacute;rio do plano.<\/p>\n<p>A proposi&ccedil;&atilde;o institui a Taxa de Controle e Fiscaliza&ccedil;&atilde;o sobre o Ressarcimento ao SUS, que ser&aacute; gerada a partir da fiscaliza&ccedil;&atilde;o da ANS sobre as operadoras e servir&aacute; para custear e manter os procedimentos e sistemas informatizados para ressarcimento ao SUS. Tamb&eacute;m estabelece que o repasse dos recursos do ressarcimento n&atilde;o seja feito diretamente ao Fundo Nacional de Sa&uacute;de, como &eacute; atualmente, mas sim dividido entre os estados e munic&iacute;pios onde ocorreram os atendimentos.<\/p>\n<p>A nova destina&ccedil;&atilde;o do ressarcimento atende a uma reivindica&ccedil;&atilde;o dos gestores locais, como foi discutido esta semana em audi&ecirc;ncia p&uacute;blica na C&acirc;mara. Na ocasi&atilde;o, o representante do Conselho Nacional dos Secret&aacute;rios de Sa&uacute;de (Conass) defendeu equil&iacute;brio na destina&ccedil;&atilde;o desses recursos e melhor verifica&ccedil;&atilde;o sobre a participa&ccedil;&atilde;o de estados e munic&iacute;pios no financiamento do sistema.<\/p>\n<p>Outro ponto que pode ser alterado &eacute; com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s demandas judiciais. Se o usu&aacute;rio pleitear na Justi&ccedil;a pela realiza&ccedil;&atilde;o de procedimento em sa&uacute;de ou o fornecimento de produto ou medicamento, o juiz dever&aacute; requisitar parecer de profissional da sa&uacute;de&nbsp; que integre n&uacute;cleo de apoio t&eacute;cnico do tribunal ou entidade conveniada, ou ouvir perito de sua confian&ccedil;a antes de conceder a tutela de urg&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>A consulta fica dispensada se a situa&ccedil;&atilde;o for de grave e iminente risco &agrave; sa&uacute;de ou &agrave; vida do autor da a&ccedil;&atilde;o judicial.<\/p>\n<p>A Ag&ecirc;ncia Brasil n&atilde;o teve retorno da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Planos de Sa&uacute;de (Abramge). Por meio da assessoria de imprensa, a Ag&ecirc;ncia Nacional de Sa&uacute;de Suplementar (ANS) informou que ainda n&atilde;o emitir&aacute; nenhum posicionamento at&eacute; que o projeto seja aprovado. A vota&ccedil;&atilde;o do parecer do deputado Rog&eacute;rio Marinho est&aacute; prevista para o dia 08 de novembro na comiss&atilde;o especial da C&acirc;mara, mas poder&aacute; ser apreciado diretamente no plen&aacute;rio, pois tramita em regime de urg&ecirc;ncia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A C&acirc;mara dos Deputados analisa um projeto de lei que pretende alterar a legisla&ccedil;&atilde;o atual que regula o funcionamento dos planos de sa&uacute;de no pa&iacute;s. Entre as principais mudan&ccedil;as em discuss&atilde;o est&aacute; a possibilidade de parcelamento do &uacute;ltimo reajuste concedido aos usu&aacute;rios de planos privados quando atingem 59 anos de idade. Pela legisla&ccedil;&atilde;o vigente, os [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":619,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-618","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/hospitalmed.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/618","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/hospitalmed.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/hospitalmed.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/hospitalmed.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/hospitalmed.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=618"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/hospitalmed.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/618\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":620,"href":"https:\/\/hospitalmed.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/618\/revisions\/620"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/hospitalmed.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/619"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/hospitalmed.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=618"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/hospitalmed.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=618"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/hospitalmed.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=618"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}