{"id":489,"date":"2017-09-22T09:27:18","date_gmt":"2017-09-22T12:27:18","guid":{"rendered":"https:\/\/hospitalmed.com.br\/portal\/?p=489"},"modified":"2017-09-21T22:30:28","modified_gmt":"2017-09-22T01:30:28","slug":"suicidio-e-a-quarta-maior-causa-de-morte-de-jovens-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hospitalmed.com.br\/portal\/2017\/09\/suicidio-e-a-quarta-maior-causa-de-morte-de-jovens-no-brasil\/","title":{"rendered":"Suic\u00eddio \u00e9 a quarta maior causa de morte de jovens no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>O suic&iacute;dio &eacute; a quarta maior causa de morte de jovens entre 15 e 29 anos no Brasil. Os dados s&atilde;o do primeiro boletim epidemiol&oacute;gico sobre suic&iacute;dio, divulgado hoje (21) pelo Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, que mostram ainda que, em 2015, 65,6% dos &oacute;bitos nessa faixa et&aacute;ria foram por causas externas: viol&ecirc;ncias e acidentes. A divulga&ccedil;&atilde;o faz parte das a&ccedil;&otilde;es do Setembro Amarelo, m&ecirc;s dedicado &agrave; preven&ccedil;&atilde;o ao suic&iacute;dio.<\/p>\n<p>O oficial de justi&ccedil;a aposentado Ivo Oliveira Farias, perdeu a filha Ariele para o suic&iacute;dio em 2014, quando ela tinha 18 anos de idade. Ele superou o tabu e a vergonha e hoje fala abertamente sobre o suic&iacute;dio da filha e a import&acirc;ncia da preven&ccedil;&atilde;o. &ldquo;As pessoas n&atilde;o se matam porque querem morrer, mas para acabar com a dor, n&atilde;o para matar a vida. [Para eles], a &uacute;nica alternativa de parar de sofrer &eacute; morrendo, elas querem acabar com a dor da depress&atilde;o, do significado da exist&ecirc;ncia. Elas est&atilde;o em uma situa&ccedil;&atilde;o da qual n&atilde;o encontram uma sa&iacute;da e a&iacute; elas saem da vida como forma de resolver o problema&rdquo;, disse.<\/p>\n<p>Para ele, &eacute; preciso falar cotidianamente sobre suic&iacute;dio, &ldquo;at&eacute; na mesa do bar&rdquo;. &ldquo;Aquela pessoa que est&aacute; vivendo o drama, pode encontrar um caminho ali para buscar uma ajuda. A gente tem que conversar com as pessoas. Quando uma pessoa diz que quer se matar, a gente tem que acreditar. A maioria d&aacute; sinal, 9 em cada 10 d&atilde;o sinal&rdquo;, ressaltou.<\/p>\n<p>Segundo a psic&oacute;loga e coordenadora do Instituto Vita Alere de Preven&ccedil;&atilde;o e Posven&ccedil;&atilde;o do Suic&iacute;dio, Karen Scavacini Karen, os sinais de alerta muitas vezes s&oacute; fazem sentido depois da morte e s&atilde;o muito complexos de serem observados e entendidos. Entretanto, ela mostrou preocupa&ccedil;&atilde;o com o aumento do suic&iacute;dio entre jovens. Segundo Karen, &eacute; importante lembrar que o c&eacute;rebro s&oacute; termina de se formar aos 21 anos e que os jovens t&ecirc;m mais impulsividade, menor autocontrole e menor consci&ecirc;ncia cr&iacute;tica.<\/p>\n<p>&ldquo;Temos visto jovens que n&atilde;o t&ecirc;m toler&acirc;ncia &agrave; frustra&ccedil;&otilde;es, fazendo alto uso de &aacute;lcool de drogas, jovens isolados&rdquo;, disse ela, explicando que as redes sociais s&atilde;o umas das causas desse isolamento e frustra&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Por mais que haja um contato virtual, o contato significativo tem diminu&iacute;do. E tudo que ele v&ecirc; no Facebook e na rede social, ele acha que &eacute; verdade e compara com a pr&oacute;pria vida, porque nas redes sociais todas as pessoas aparentam estar feliz sempre&rdquo;, disse.<\/p>\n<p>A press&atilde;o com a carreira, a press&atilde;o em ser o melhor s&atilde;o preocupa&ccedil;&otilde;es que pesam aos jovens, segundo Karen. &ldquo;E um vazio existencial. O pr&oacute;prio sentido da vida das pessoas&rdquo;, ressaltou.<\/p>\n<p><strong>Fatores de risco<\/strong><\/p>\n<p>A psic&oacute;loga Karen cita ainda a m&iacute;dia e as s&eacute;ries de TV, como&nbsp;<em>13 Reasons Why<\/em>, do canal de&nbsp;<em>streaming Netflix<\/em>, que, para ela, t&ecirc;m uma grande influ&ecirc;ncia sobre os jovens. &ldquo;Quando o jovem se identifica com o personagem, aumenta o risco de cont&aacute;gio&rdquo;, disse. Na s&eacute;rie, a personagem principal comete suic&iacute;dio e tenta explicar as suas raz&otilde;es.<\/p>\n<p>&ldquo;A s&eacute;rie &eacute; muito boa em trazer esse assunto para a realidade das pessoas. No geral, as pessoas acham que suic&iacute;dio s&oacute; acontece na casa do vizinho. O problema &eacute; que a grande maioria dos jovens viu a s&eacute;rie mas n&atilde;o teve como conversar porque os pais n&atilde;o viram. N&atilde;o teve um di&aacute;logo aberto sobre tudo que aconteceu com a Hanna [personagem que cometeu suic&iacute;dio]&rdquo;, disse, argumentando que a pr&oacute;pria s&eacute;rie, que trouxe &agrave; tona a discuss&atilde;o, poderia mostrar as sa&iacute;das, os caminhos para se receber ajuda.<\/p>\n<p>Uma outra quest&atilde;o que tamb&eacute;m influencia os jovens &eacute; a descoberta da homossexualidade, quando eles assumem isso perante a fam&iacute;lia e a sociedade. &ldquo;Dependendo da maneira como a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; tratada &eacute; um fator de risco para o suic&iacute;dio&rdquo;, disse. &ldquo;A decis&atilde;o recente de que&nbsp;homossexualidade pode ser tratada, pode aumentar esse fator de risco. &Eacute; um retrocesso grande&rdquo;, explicou.<\/p>\n<p>Karen explicou ainda que muitos transtornos mentais iniciam na adolesc&ecirc;ncia e muitas vezes &eacute; dif&iacute;cil para a fam&iacute;lia entender que o jovem precisa de ajuda especializada e que n&atilde;o s&atilde;o s&oacute; &ldquo;sintomas&rdquo; de adolesc&ecirc;ncia. A demora em receber o tratamento adequado, o tabu e o preconceito das pessoas em procurar o psiquiatra e o psic&oacute;logo s&atilde;o problemas que precisam de aten&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Para ela, existe uma dificuldade de acesso a servi&ccedil;os de sa&uacute;de, tanto para tratamento de uso de subst&acirc;ncias, quanto para jovens com comportamentos suicidas.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, &eacute; preciso um tratamento mais humano pelos profissionais de sa&uacute;de quando as pessoas conseguem acessar esses servi&ccedil;os. &ldquo;Tenho relatos de pessoas que foram maltratadas em prontos-socorros ou pelo m&eacute;dico. E isso &eacute; uma coisa comum. Eles n&atilde;o t&ecirc;m a forma&ccedil;&atilde;o em preven&ccedil;&atilde;o&rdquo;, disse. &ldquo;&Eacute; preciso sensibilizar os profissionais que eles est&atilde;o lidando com dor, que o suic&iacute;dio &eacute; a resposta a uma dor terr&iacute;vel que a pessoa n&atilde;o conseguiu outra sa&iacute;da&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>Tentativas repetidas<\/strong><\/p>\n<p>Um grande fator de risco para o suic&iacute;dio s&atilde;o as tentativas anteriores. Segundo Karen, os primeiros 30 dias depois da alta &eacute; o per&iacute;odo de risco aumentado porque n&atilde;o h&aacute; uma continuidade no cuidado com essas pessoas. &ldquo;O que levou uma pessoa a tentar suic&iacute;dio foi um sofrimento intenso e isso n&atilde;o vai embora. &Eacute; preciso continuidade em termos de tratamento psiqui&aacute;trico e psicol&oacute;gico para a aceita&ccedil;&atilde;o, para que n&atilde;o haja novas tentativas&rdquo;, explicou.<\/p>\n<p>Ela ressaltou, entretanto, que quem tenta o suic&iacute;dio n&atilde;o est&aacute; fadado a repetir esse comportamento, mas precisam de tratamento adequado.<\/p>\n<p>Karen contou que um estudo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) mostrou diminui&ccedil;&atilde;o no risco de tentativas repetitivas de suic&iacute;dio com o acompanhamento telef&ocirc;nico das pessoas que tentaram suic&iacute;dio ap&oacute;s a alta hospitalar. &ldquo;Isso poderia ser feito por qualquer pessoa treinada. Eles apenas ligavam para saber como o outro estava&rdquo;, explicou. &ldquo;O retorno para casa dessas tentativas &eacute; mais dif&iacute;cil e precisa ser acompanhado para que a pessoa possa seguir caminhos mais saud&aacute;veis&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>Sobreviventes enlutados<\/strong><\/p>\n<p>Os sobreviventes enlutados, familiares ou amigos de pessoas que cometeram suic&iacute;dio tamb&eacute;m merecem aten&ccedil;&atilde;o, segundo Karen. Ela coordena um grupo de apoio aos enlutados pelo suic&iacute;dio. &ldquo;H&aacute; um julgamento muito grande e um julgamento transferido, julga aquele que tenta o suic&iacute;dio e, quando ele consegue, julga quem fica porque n&atilde;o viu os sinais. &Eacute; preciso olhar para quem perdeu algu&eacute;m com empatia&rdquo;, disse.<\/p>\n<p>O aposentado Ivo Farias frequenta o grupo coordenado por Karen, al&eacute;m de outros. &ldquo;Voc&ecirc; para de viver. Voc&ecirc; luta para se manter vivo, a vida perde o significado e, no meu caso, o significado &eacute; lutar por essa causa [de preven&ccedil;&atilde;o ao suic&iacute;dio]. A maioria fica no anonimato porque &eacute; julgado a todo instante pelas pessoas a sua volta&rdquo;, disse.<\/p>\n<p>Ele explicou que, mesmo que a pessoa saiba que n&atilde;o &eacute; culpada, ela se sente respons&aacute;vel pela pessoa que se foi. &ldquo;Sente uma certa incompet&ecirc;ncia porque n&atilde;o conseguiu mant&ecirc;-la vida. A grande maioria dos enlutados esconde&rdquo;, explicou.<\/p>\n<p>Para Ivo, quando mais se falar em suic&iacute;dio menos as pessoas v&atilde;o ter receio em procurar ajuda e pedir apoio. &ldquo;N&oacute;s enlutados somos suicidas em potencial. No primeiro ano [ap&oacute;s a morte da filha], eu passava em viaduto e ficava pensando em me jogar. &Eacute; uma dor que n&atilde;o diminuiu. Ou voc&ecirc; se fortace e busca uma alternativa ou voc&ecirc; definha e morre. Quando se fala abertamente, se consegue falar a palavra, a gente consegue superar&rdquo;, disse.<\/p>\n<p><strong>CVV<\/strong><\/p>\n<p>O Centro de Valoriza&ccedil;&atilde;o da Vida (CVV) realiza apoio emocional e preven&ccedil;&atilde;o do suic&iacute;dio, atendendo volunt&aacute;ria e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, 24 horas todos os dias.<\/p>\n<p>Ele atende pelo n&uacute;mero de telefone 141 ou diretamente no posto regional. Em cidades sem posto de atendimento do CVV, as pessoas podem utilizar o atendimento por&nbsp;<em>chat, skype e e-mail<\/em>dispon&iacute;veis na p&aacute;gina do&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.cvv.org.br\/postos-de-atendimento\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">CVV<\/a>.<\/p>\n<p><em>*Da Ag&ecirc;ncia Brasil<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O suic&iacute;dio &eacute; a quarta maior causa de morte de jovens entre 15 e 29 anos no Brasil. 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