{"id":423,"date":"2017-09-11T02:36:40","date_gmt":"2017-09-11T02:36:40","guid":{"rendered":"https:\/\/hospitalmed.com.br\/portal\/?p=392"},"modified":"2017-09-11T02:36:40","modified_gmt":"2017-09-11T02:36:40","slug":"governo-quer-nova-politica-de-saude-mental-especialistas-criticam-manicomios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hospitalmed.com.br\/portal\/2017\/09\/governo-quer-nova-politica-de-saude-mental-especialistas-criticam-manicomios\/","title":{"rendered":"Governo quer nova pol\u00edtica de sa\u00fade mental; especialistas criticam manic\u00f4mios"},"content":{"rendered":"<p><em>Da Ag&ecirc;ncia Brasil<\/em><\/p>\n<p>Em todo o Brasil, 18,6 milh&otilde;es de pessoas (9,3% da popula&ccedil;&atilde;o) sofrem com dist&uacute;rbios relacionados &agrave; ansiedade. J&aacute; 11,5 milh&otilde;es (5,8% do total) s&atilde;o afetadas pela depress&atilde;o, segundo dados da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de (OMS), que coloca o pa&iacute;s no topo da lista de maior preval&ecirc;ncia da doen&ccedil;a, na Am&eacute;rica Latina. Apenas em 2015, foram registrados oficialmente cerca de 12 mil suic&iacute;dios no Brasil.<\/p>\n<p>Apesar de ser um problema grave de sa&uacute;de p&uacute;blica, a subnotifica&ccedil;&atilde;o nos registros de casos de doen&ccedil;a mental, a baixa ocupa&ccedil;&atilde;o de leitos espec&iacute;ficos e erros na gest&atilde;o dos recursos s&atilde;o problemas apontados pelo Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de como recorrentes no pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Relat&oacute;rio sobre a Rede de Aten&ccedil;&atilde;o Psicossocial (RAPS) elaborado pelo Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de mostra que R$ 185 milh&otilde;es aportados para financiar servi&ccedil;os nessa &aacute;rea, nos &uacute;ltimos dez anos, n&atilde;o foram aplicados. Cerca de 16% dos Centros de Aten&ccedil;&atilde;o Psicossocial (Caps) &ndash; 385 de um total de 2.465 &ndash; n&atilde;o registraram atendimentos nos &uacute;ltimos tr&ecirc;s meses. J&aacute; metade dos 1.164 leitos destinados &agrave; interna&ccedil;&atilde;o de pessoas com doen&ccedil;as mentais em hospitais comuns n&atilde;o tem registrado ocupa&ccedil;&atilde;o, enquanto 44 hospitais psiqui&aacute;tricos tiveram atendimento acima da capacidade.<\/p>\n<p>Diante desse quadro, o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de anunciou a cria&ccedil;&atilde;o de um grupo de trabalho que ser&aacute; formalizado neste m&ecirc;s. O an&uacute;ncio foi feito durante reuni&atilde;o da Comiss&atilde;o Intergestores Tripartites (CIT), inst&acirc;ncia que re&uacute;ne representantes do Conselho Nacional de Secret&aacute;rios Estaduais de Sa&uacute;de (Conass) e do Conselho Nacional de Secret&aacute;rios Municipais de Sa&uacute;de (Conasems), al&eacute;m de gestores do pr&oacute;prio Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de.<\/p>\n<p>Segundo o coordenador de Sa&uacute;de Mental, &Aacute;lcool e Outras Drogas do minist&eacute;rio, Quirino Cordeiro Junior, o objetivo &eacute; aprimorar o diagn&oacute;stico e propor medidas para que os servi&ccedil;os sejam ofertados com mais efetividade e otimiza&ccedil;&atilde;o de recursos.<\/p>\n<p>Organiza&ccedil;&otilde;es como a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Psiquiatria (ABP) e o Conselho Federal de Medicina (CFM) criticam a situa&ccedil;&atilde;o da assist&ecirc;ncia p&uacute;blica &agrave; sa&uacute;de mental e avaliam que a &aacute;rea &ldquo;passa por fase ca&oacute;tica&rdquo;. <\/p>\n<p>Em balan&ccedil;o divulgado neste ano, as organiza&ccedil;&otilde;es apontam a sistem&aacute;tica redu&ccedil;&atilde;o do financiamento para a &aacute;rea e pedem a amplia&ccedil;&atilde;o da rede de aten&ccedil;&atilde;o. Os rumos que ser&atilde;o adotados no caso de uma poss&iacute;vel altera&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica de atendimento em sa&uacute;de mental gera preocupa&ccedil;&atilde;o entre especialistas.<br \/>\n<strong><br \/>\nManic&ocirc;mios<\/strong><\/p>\n<p>Para algumas entidades, os n&uacute;meros apresentados sobre a ocupa&ccedil;&atilde;o de leitos podem servir para estimular a abertura de vagas em hospitais psiqui&aacute;tricos, os chamados manic&ocirc;mios. <\/p>\n<p>Questionado sobre o tema, Cordeiro Junior, do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, disse que n&atilde;o h&aacute; proposta oficial de expans&atilde;o das vagas nesses hospitais, mas que &eacute; preciso repensar essa ocupa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>De acordo com ele, desde 2013, quando as vagas em hospitais gerais foram criadas, houve cerca de 10% a 15% de ocupa&ccedil;&atilde;o, entretanto, o minist&eacute;rio repassou aos hospitais financiamento referente &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o plena dos leitos.<\/p>\n<p>&ldquo;Nem o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de nem outras entidades fizeram proposta sobre isso&rdquo;, disse, referindo-se aos manic&ocirc;mios. O que &eacute; preciso, segundo o coordenador, &eacute; ampliar a discuss&atilde;o sobre o atendimento, com vistas &agrave; melhoria.<\/p>\n<p>Em nota, o Conselho Nacional de Secret&aacute;rios de Sa&uacute;de (Conass) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Sa&uacute;de (Conasems) &ldquo;ratificam o compromisso com os princ&iacute;pios da reforma psiqui&aacute;trica brasileira&rdquo; e avaliam &ldquo;como positiva e necess&aacute;ria a reflex&atilde;o e o debate acerca da evolu&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de mental no Brasil&rdquo;. Os conselhos integrar&atilde;o o Grupo de Trabalho Tripartite criado pelo Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de e que deve iniciar as atividades em setembro.<\/p>\n<p>A vice-presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Sa&uacute;de Mental (Abrasme), Ana Pitta, teme retrocessos na abordagem, com o retorno dos hospitais psiqui&aacute;tricos para o centro da pol&iacute;tica.<\/p>\n<p>Ela lembra que a ditadura militar adotou o &ldquo;enclausuramento, a pris&atilde;o e a exclus&atilde;o como modelo de funcionamento, criando a ind&uacute;stria da loucura no pa&iacute;s&rdquo;. Naquela &eacute;poca, a repercuss&atilde;o de casos como o do Hospital Col&ocirc;nia, em Barbacena (MG), onde morreram 60 mil pessoas entre 1903 e 1980, fortaleceu a cr&iacute;tica da sociedade aos manic&ocirc;mios. No contexto da redemocratiza&ccedil;&atilde;o, houve a funda&ccedil;&atilde;o do Movimento de Trabalhadores em Sa&uacute;de Mental (MTSM) e depois do Movimento de Luta Antimanicomial.<\/p>\n<p><strong>Reforma psiqui&aacute;trica<\/strong><\/p>\n<p>A abordagem foi definitivamente alterada em 2001, quando foi aprovada a Lei n&ordm; 10.216, que modifica o modelo assistencial em sa&uacute;de mental, tendo como base as premissas da reforma psiqui&aacute;trica, com destaque para a aten&ccedil;&atilde;o de base comunit&aacute;ria, com a menor interven&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel. Embora os manic&ocirc;mios n&atilde;o tenham sido proibidos, houve um redirecionamento. A lei fixa que &ldquo;a interna&ccedil;&atilde;o psiqui&aacute;trica somente ser&aacute; realizada mediante laudo m&eacute;dico circunstanciado que caracterize os seus motivos&rdquo; e que a perman&ecirc;ncia de um mesmo paciente fica limitada a sete dias corridos ou a dez dias intercalados, em um per&iacute;odo trinta dias.<\/p>\n<p>O coordenador do Grupo de Pesquisa Sa&uacute;de Mental e Sociedade, Marcos Roberto Vieira Garcia, relata que a abordagem da pol&iacute;tica de sa&uacute;de mental do Brasil vem sendo elogiada no mundo todo. &ldquo;Os hospitais psiquiatros foram historicamente denunciados por viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos de todos os tipos&rdquo;, lembra Garcia, que &eacute; professor da Universidade Federal de S&atilde;o Carlos (UFSCar).<\/p>\n<p>Segundo ele, pesquisa realizada em 2014, em S&atilde;o Paulo, revelou que mais de 1 mil pacientes moravam h&aacute; mais de trinta anos nessas institui&ccedil;&otilde;es. &ldquo;Isso em um pa&iacute;s em que a pris&atilde;o m&aacute;xima &eacute; de trinta anos. &Eacute; isso que as pessoas querem reproduzir?&rdquo;, questiona.<\/p>\n<p>&ldquo;Temos que pensar essa pol&iacute;tica dentro de uma vis&atilde;o mais geral de sociedade, que &eacute; a de inclus&atilde;o. Manic&ocirc;mios n&atilde;o s&atilde;o locais de tratamento, s&atilde;o locais exclusivamente de exclus&atilde;o&rdquo;, critica o professor que tem acompanhado a desinstitucionaliza&ccedil;&atilde;o de pessoas que moraram por anos em hospitais psiqui&aacute;tricos em Sorocaba (SP), uma das poucas cidades brasileiras que ainda tem quatro manic&ocirc;mios em funcionamento.<\/p>\n<p><strong>Recursos<\/strong><\/p>\n<p>A vice-presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Sa&uacute;de Mental, Ana Pitta, destaca que a abordagem comunit&aacute;ria &eacute; a que orienta experi&ecirc;ncias exitosas, como a do Canad&aacute;, da Holanda e da It&aacute;lia. No caso do Brasil, na avalia&ccedil;&atilde;o dela, &ldquo;o problema central da pol&iacute;tica de sa&uacute;de mental &eacute; o desinvestimento brutal ocorrido nos &uacute;ltimos tr&ecirc;s anos&rdquo;. <\/p>\n<p>&ldquo;N&oacute;s tivemos um momento de apogeu com a aprova&ccedil;&atilde;o da lei, em 2001, fomos crescendo em termos de cobertura assistencial do pa&iacute;s, chegando a todos os estados com os Caps, um elemento organizador territorial que &eacute; estrat&eacute;gico para que possamos fazer a transi&ccedil;&atilde;o dos manic&ocirc;mios para a abordagem comunit&aacute;ria&rdquo;, avalia.<\/p>\n<p>Desde 2010, contudo, houve redu&ccedil;&atilde;o de aportes, o que inviabiliza, na opini&atilde;o da especialista, a efetiva&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es de controle, avalia&ccedil;&atilde;o e qualifica&ccedil;&atilde;o de recursos humanos.<\/p>\n<p>Na avalia&ccedil;&atilde;o do coordenador de Sa&uacute;de Mental, &Aacute;lcool e Outras Drogas do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, o problema est&aacute; na implementa&ccedil;&atilde;o dos recursos dispon&iacute;veis. De acordo com o governo, em dez anos, a pasta repassou mais de R$ 185 milh&otilde;es para financiar servi&ccedil;os que n&atilde;o foram concretizados. O or&ccedil;amento federal destinado &agrave; sa&uacute;de mental &eacute; de R$ 1,3 bilh&atilde;o por ano.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da Ag&ecirc;ncia Brasil Em todo o Brasil, 18,6 milh&otilde;es de pessoas (9,3% da popula&ccedil;&atilde;o) sofrem com dist&uacute;rbios relacionados &agrave; ansiedade. J&aacute; 11,5 milh&otilde;es (5,8% do total) s&atilde;o afetadas pela depress&atilde;o, segundo dados da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de (OMS), que coloca o pa&iacute;s no topo da lista de maior preval&ecirc;ncia da doen&ccedil;a, na Am&eacute;rica Latina. Apenas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":411,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-423","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opinioes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/hospitalmed.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/423","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/hospitalmed.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/hospitalmed.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/hospitalmed.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/hospitalmed.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=423"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/hospitalmed.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/423\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/hospitalmed.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/411"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/hospitalmed.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=423"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/hospitalmed.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=423"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/hospitalmed.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=423"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}