{"id":386,"date":"2017-09-08T20:49:37","date_gmt":"2017-09-08T20:49:37","guid":{"rendered":"https:\/\/hospitalmed.com.br\/portal\/?p=386"},"modified":"2017-09-08T20:49:37","modified_gmt":"2017-09-08T20:49:37","slug":"pacientes-cronicos-relatam-dificuldades-no-acesso-medicamentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hospitalmed.com.br\/portal\/2017\/09\/pacientes-cronicos-relatam-dificuldades-no-acesso-medicamentos\/","title":{"rendered":"Pacientes cr\u00f4nicos relatam dificuldades no acesso a medicamentos"},"content":{"rendered":"<p><em>Da Ag&ecirc;ncia Brasil<\/em><\/p>\n<p>A espera de at&eacute; oito horas na fila para retirar medica&ccedil;&atilde;o &eacute; sin&ocirc;nimo da manuten&ccedil;&atilde;o do tratamento para o filho de 4 anos, afirma a dona de casa Ana Paula Lobato. O pequeno Davi, que requer cuidados especiais, tem uma doen&ccedil;a cong&ecirc;nita que afeta o cora&ccedil;&atilde;o e o pulm&atilde;o e o faz viver em uma esp&eacute;cie de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na pr&oacute;pria casa. Usado no tratamento da hipertens&atilde;o arterial pulmonar, a Bosentana, &eacute; fornecido gratuitamente pelo Governo do Distrito Federal todo m&ecirc;s &agrave; crian&ccedil;a e pode custar at&eacute; R$ 4,3 mil uma &uacute;nica caixa do medicamento.<\/p>\n<p>Hoje (8), data em que &eacute; lembrada o Dia Nacional de Luta por Medicamentos, Ana Paula e outros pacientes cr&ocirc;nicos relatam dificuldades no acesso a medicamentos, al&eacute;m do frequente desabastecimento no estoque das farm&aacute;cias de alto custo no DF.<\/p>\n<p>&ldquo;H&aacute; situa&ccedil;&otilde;es em que venho aqui e n&atilde;o encontro o rem&eacute;dio, preciso retornar e enfrentar a fila de quatro a oito horas para conseguir receber o medicamento. Essa espera &eacute; imensa, cansativa, mas ainda  agrade&ccedil;o por ter acesso a esse rem&eacute;dio para o meu filho considerando a atual situa&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s&rdquo;, avalia Ana Paula.<\/p>\n<p>Para Vanuza Ferreira a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; semelhante. H&aacute; duas d&eacute;cadas, a funcion&aacute;ria p&uacute;blica depende a pol&iacute;tica de distribui&ccedil;&atilde;o de medicamentos para garantir a sa&uacute;de do filho, o estudante de farm&aacute;cia de 21 anos. Mario Albert tem fibrose c&iacute;stica, uma doen&ccedil;a gen&eacute;tica, cr&ocirc;nica, que afeta principalmente os pulm&otilde;es, p&acirc;ncreas e o sistema digestivo. Mensalmente, a m&atilde;e de Mario Albert enfrenta a fila quilom&eacute;trica para receber um conjunto de sete medicamentos estimados por Vanuza em R$ 9 mil.<\/p>\n<p>&ldquo;N&atilde;o seria vi&aacute;vel tratar meu filho sem esse tipo de assist&ecirc;ncia, com os medicamentos ele tem uma vida normal. Quando n&atilde;o encontro o rem&eacute;dio, preciso recorrer a associa&ccedil;&atilde;o de fibrose c&iacute;stica da qual fa&ccedil;o parte. Sempre nos ajudamos quando h&aacute; falta de algum medicamento. N&atilde;o me importo de esperar na fila, o rem&eacute;dio significa a vida do meu filho e, apesar de atrasos, nunca ficamos sem&rdquo;. <\/p>\n<p>Segundo a Secretaria de Sa&uacute;de do Governo do Distrito Federal, as Farm&aacute;cias de Componentes Especializados (Alto Custo) fornecem 200 medicamentos. No momento, 58 destes rem&eacute;dios est&atilde;o em falta, mas segundo o &oacute;rg&atilde;o &ldquo;todos com processo de compra em andamento&rdquo;.<\/p>\n<p>A professora Margareth Lima tem psor&iacute;ase grave, a doen&ccedil;a autoimune que atinge a pele &eacute; caracterizada por mancha, que se localizam preferencialmente junto &agrave; raiz dos cabelos, nos cotovelos e nos joelhos. Para tratar a doen&ccedil;a,  ela faz uso cont&iacute;nuo do medicamento injet&aacute;vel etanercepte. O custo da caixa, em m&eacute;dia, R$ 9.621,40 &eacute; invi&aacute;vel para o or&ccedil;amento da professora.<\/p>\n<p>&ldquo;Todo m&ecirc;s &eacute; uma luta. J&aacute; fizeram mudan&ccedil;as no atendimento da farm&aacute;cia, mas o tempo de espera continua muito longo. Vejo pessoas muito doentes e idosos chegando &agrave;s 6h30 para conseguir pegar a senha de atendimento, que s&oacute; se inicia &agrave;s 8h. Hoje em dia, os funcion&aacute;rios j&aacute; nos avisam na pr&oacute;pria fila se tem o medicamento ou se est&aacute; em falta, o que nos faz poupar muito tempo. Demora muito, mas o atendimento &eacute; bom e eu prefiro enfrentar fila e sair com medicamento na m&atilde;o do que ficar sem tratamento&rdquo;, conta a professora.<\/p>\n<p>Nas duas farm&aacute;cias (Asa Sul e Ceil&acirc;ndia) s&atilde;o atendidos cerca de 30 mil doentes cr&ocirc;nicos. Todos os dias, das 8h &agrave;s 17h, mais de mil pacientes s&atilde;o atendidos, em uma m&eacute;dia de 50 pessoas por hora.<\/p>\n<p><strong>Medicamentos<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, a oferta de medicamentos no Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (SUS) &eacute; organizada em tr&ecirc;s componentes que comp&otilde;e o Bloco de Financiamento da Assist&ecirc;ncia Farmac&ecirc;utica &#8211; B&aacute;sico, Estrat&eacute;gico e Especializado, al&eacute;m do Programa Farm&aacute;cia Popular. Segundo a pasta, foram destinados, no &uacute;ltimo ano, R$ 15,9 bilh&otilde;es na aquisi&ccedil;&atilde;o, repasse de recursos e distribui&ccedil;&atilde;o de medicamentos nos estados e munic&iacute;pios brasileiros.<\/p>\n<p>Uma lista define os medicamentos que devem atender &agrave;s necessidades de sa&uacute;de priorit&aacute;rias da popula&ccedil;&atilde;o no SUS. A Rela&ccedil;&atilde;o Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename) de 2017 conta com 869 itens, contra 842 da edi&ccedil;&atilde;o de 2014. Tamb&eacute;m define a responsabilidade de aquisi&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o de cada ente do SUS (estado, munic&iacute;pio e Uni&atilde;o).<\/p>\n<p>Na &uacute;ltima divulga&ccedil;&atilde;o da lista, em agosto deste ano, a pasta anunciou a inclus&atilde;o de medicamentos como o dolutegravir, para tratamento de infec&ccedil;&atilde;o pelo HIV e a rivastigmina, um adesivo transd&eacute;rmico, usado para o tratamento de pacientes com dem&ecirc;ncia leve e moderadamente grave de Alzheimer.<\/p>\n<p><strong>Judicializa&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>Muitos pacientes cr&ocirc;nicos recorrem &agrave; justi&ccedil;a quando n&atilde;o t&ecirc;m acesso ou condi&ccedil;&otilde;es de obter medicamentos necess&aacute;rios ao tratamento. Segundo o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, &eacute; crescente o impacto das determina&ccedil;&otilde;es judiciais no or&ccedil;amento da pasta. Em sete anos, o governo federal desembolsou R$ 4,5 bilh&otilde;es para atender as determina&ccedil;&otilde;es judiciais para a compra de medicamentos, equipamentos, dietas, suplementos alimentares, gastos com cirurgias, interna&ccedil;&otilde;es e dep&oacute;sitos judiciais, um aumento de 1.010% entre 2010 e 2016.<\/p>\n<p>&ldquo;Em 2016, a cifra chegou a R$ 1,3 bilh&atilde;o, sendo que a compra dos dez medicamentos mais caros para atender as demandas judiciais custou ao Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de quase R$ 1,1 bilh&atilde;o, o que representou 90% dos gastos totais dos 790 itens comprados em 2016&rdquo;, informou a pasta por meio de nota.<\/p>\n<p>Segundo estudo do Tribunal de Contas da Uni&atilde;o (TCU) divulgado em agosto, os gastos da Uni&atilde;o com processos judiciais referentes &agrave; sa&uacute;de, em 2015, foram de R$ 1 bilh&atilde;o, um aumento de mais de 1.300% em sete anos. O fornecimento de medicamentos, alguns sem registro no Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de, corresponde a 80% das a&ccedil;&otilde;es. Segundo a Corte, tamb&eacute;m foram detectadas fraudes para obten&ccedil;&atilde;o de benef&iacute;cios indevidos.<br \/>\n<strong><br \/>\nRegistro de medicamentos<\/strong><\/p>\n<p>Respons&aacute;vel pelo registro de medicamentos em todo o territ&oacute;rio nacional, a Ag&ecirc;ncia Nacional de Vigil&acirc;ncia Sanit&aacute;ria (Anvisa) segue um processo rigoroso e, muitas vezes questionado pelo tempo em que um produto &eacute; analisado. Para ser fabricado comercializado no pa&iacute;s, os medicamentos precisam do registro concedido pela ag&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Em 2016, a ag&ecirc;ncia recebeu 8.697 peti&ccedil;&otilde;es de registro, altera&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-registro e renova&ccedil;&atilde;o do registro de produtos biol&oacute;gicos, medicamentos (referentes aos c&oacute;digos de assunto de an&aacute;lise), altera&ccedil;&otilde;es de bulas e r&oacute;tulos de medicamentos e autoriza&ccedil;&otilde;es de pesquisas cl&iacute;nicas.<\/p>\n<p>Segundo a ag&ecirc;ncia reguladora, o tempo total de registro desses produtos varia e &eacute; composto por tr&ecirc;s momentos: os tempos de fila,  Anvisa para an&aacute;lise dos processos, e o tempo empresa, relativo ao cumprimento de exig&ecirc;ncias feitas pela Anvisa, ou seja, o tempo necess&aacute;rio para a empresa apresentar informa&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas complementares sobre o produto para subsidiar a decis&atilde;o. A ag&ecirc;ncia n&atilde;o estabelece prazos, mas um registro costuma levar at&eacute; anos para ser concedido.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da Ag&ecirc;ncia Brasil A espera de at&eacute; oito horas na fila para retirar medica&ccedil;&atilde;o &eacute; sin&ocirc;nimo da manuten&ccedil;&atilde;o do tratamento para o filho de 4 anos, afirma a dona de casa Ana Paula Lobato. 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